INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E CULTURA: perspectivas para a diversidade cultural na era digital

Autoria: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR
Ano: 2022

A agenda sobre ética de IA é, atualmente, um dos principais temas de discussão em nível internacional. Segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)1, em 2019 havia mais de 90 documentos sobre princípios da IA publicados por governos, empresas, organizações internacionais e instituições acadêmicas; desde então, tal debate só tem se aprofundado e ganhado importância. Como exemplo, veja-se a publicação da Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)2. Ao estabelecer princípios e diretrizes para uma abordagem de IA centrada no ser humano, tal documento se tornou o primeiro instrumento global negociado multilateralmente para servir de guia a países na elaboração de seus marcos normativos, na necessidade eventual de regulação e na construção de políticas públicas adequadas. Embora esse debate esteja em ascensão e envolva múltiplos atores, é sentida uma falta de participação mais intensa da cultura nos marcos referenciais sobre IA. Há ainda poucos documentos setoriais específicos que discutem os impactos da IA na cultura3 ou a incorporam a essa dimensão ética, como a própria recomendação da UNESCO. Ao mesmo tempo, a IA tem ganhado cada vez maior relevância e aplicação no setor cultural, sobretudo em função da proliferação das plataformas digitais utilizadas na disseminação de conteúdos culturais. A IA está presente não apenas nos sistemas de recomendação de conteúdos baseados em algoritmos, como também na criação de obras artísticas por mecanismos de aprendizagem de máquina, na produção, edição e adaptação de conteúdos, na mediação cultural em visitas guiadas nas instituições culturais, no atendimento ao público por meio de assistentes virtuais, na organização e disponibilização de acervos digitais, na gestão cultural e análise de dados para mapeamento de públicos e desenvolvimento de estratégias promocionais, entre muitas outras aplicações. A despeito de sua incidência na cultura, são poucos os referenciais políticos e estratégicos que tratam do tema, assim como as publicações e pesquisas acadêmicas. O presente Estudo Setorial sobre Inteligência Artificial e Cultura vem agregar-se aos esforços para construção dessa agenda, tratando mais especificamente das aplicações de IA no setor cultural e de seus desdobramentos para a proteção e a promoção da diversidade de expressões culturais. Embora existam outros documentos e iniciativas, tanto no campo de IA como no da cultura, a interface entre os dois temas é ainda muito pouco debatida. Dessa forma, o estudo traz uma contribuição relevante, tanto para colocar esse importante tema em pauta, quanto para subsidiar o desenvolvimento de possíveis estratégias regulatórias e de políticas públicas.