Cultura e Democracia

Autoria: Marilena Chauí
Ano: 2008

O presente texto reconstitui os significados da palavra cultura, cujas diferentes acepções variarão conforme o contexto intelectual e político da época, quando no iluminismo, coloca-se como referência máxima o modelo cultural capitalista da Europa Ocidental. Simultaneamente passa a ser instrumento de avaliação e hierarquização dos regimes políticos e classes sociais, legitimando os processos de dominação e exploração. Neste marco geral, critica a cultura e comunicação de massas, como forma de ocultar estes processos, criando toda uma gama de produtos e serviços culturais médios através dos meios de comunicação de massa e outras ferramentas, que encobrem a luta de classes; e descreve porque a massificação da cultura é, de fato, a sua negação. Posteriormente tratará da questão da cultural como um direito, cuja afirmação é a oposição à política neoliberal, que transforma a cultura em produtos e serviços a serem vendidos no mercado, constituindo-se, portanto, em privilégio de classe e instrumento de manutenção da ordem vigente. Segundo esta concepção, analisa as questões cultural e democrática à luz da experiência brasileira. Por fim, traça algumas linhas do que seria uma democracia concreta, ou seja, a democracia no marco socialista.